Em queda no mundo, os casos de suicídio avançam em jovens no Brasil

Mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e os transtornos de humor, entre os quais a depressão se destaca, representam o diagnóstico mais frequente nesses casos, presente em 36% das vítimas. Alcoolismo, esquizofrenia e transtornos de personalidade são outros fatores de risco. Estamos falando, portanto, de doenças que podem ser tratadas. Ou seja: o suicídio é evitável em grande parte dos casos.

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Atualmente, o Brasil apresenta a maior prevalência de depressão da América Latina, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS): o problema afeta 5,8% da população, uma taxa superior à média global, que é de 4,4%. Isso significa que quase 12 milhões de brasileiros enfrentam a doença, o que equivale à população inteira de uma metrópole como São Paulo, por exemplo.

Os números elevados da depressão no País também acompanham a escalada do suicídio no território nacional. Enquanto o número de pessoas que tiram a própria vida diminui mundo afora, o Brasil vai na contramão do cenário global. Por aqui, a taxa de suicídio entre os adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015, considerando os moradores das maiores cidades brasileiras.

O aumento de casos de suicídio entre os mais novos e a prevalência do problema no sexo masculino são pontos de atenção. Trata-se, hoje, da quarta maior causa de morte em jovens no País, segundo o Ministério da Saúde. Mas esse é um problema que afeta toda a sociedade. A cada 46 minutos, alguém põe fim à própria vida no Brasil.

A Organização Mundial de Saúde reconhece que um dos grandes entraves à prevenção do suicídio é, justamente, a dificuldade de identificá-lo como uma questão de saúde pública, uma vez que o tema é tratado como tabu por muita gente e os transtornos mentais carregam um forte estigma, o que acaba afastando o paciente de buscar por ajuda.  Por isso, conhecer o assunto a fundo é o primeiro passo para vencer o preconceito.

Os desafios do público adolescente

Em alguns grupos específicos, como é o caso dos adolescentes, a identificação de pacientes sob risco de suicídio pode ser ainda mais desafiadora. “Muitas vezes, características que poderiam sugerir quadros depressivos e um risco aumentado para o suicídio são confundidas com estereótipos associados a uma determinada faixa etária, como a ideia de que adolescentes são sempre mais explosivos ou distantes da família que pessoas de outras idades”, diz o médico Teng Chei Tung, doutor em psiquiatria, coordenador do serviço de interconsultas e pronto-socorro do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e vice coordenador da Comissão de Emergência Psiquiátrica da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

“A adolescência já é, por si só, um período conturbado. Mas, quando falamos em suicídio, devemos pensar em um fenômeno que traz uma convergência de fatores, o que inclui aspectos fisiológicos, sociais e culturais, combinados, muitas vezes, a experiências de trauma ou perda”, afirma Teng. “Nesse sentido, merecem atenção fatores como o consumo de álcool e outras drogas entre os jovens, bem como o bullying e a presença de transtornos psiquiátricos não diagnosticados adequadamente”, completa.

De acordo com o médico, os pais devem ficar atentos se o jovem apresenta mudanças bruscas de personalidade, alterações no desempenho escolar, perda de interesse por atividades que antes lhe eram prazerosas, isolamento familiar ou social, pessimismo, perda ou ganho inesperados de peso. “Vale, ainda, observar se são frequentes comentários autodepreciativos ou sobre morte, bem como comportamentos atípicos, como a doação de pertences que antes o jovem valorizava”, reforça Teng.

Além de corretamente diagnosticada, a depressão precisa ser efetivamente tratada. Dados da OMS apontam que apenas 37% dos depressivos graves recebem algum tipo de tratamento no Brasil. Vale lembrar que esses pacientes, atualmente, podem contar com opções de tratamento eficazes e seguras.

Fonte – Assessoria da Pfizer