Febrafar fala sobre venda de álcool em gel para Exame

Assim que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil, há mais de dois meses, um dos primeiros produtos a sumir das prateleiras foi o álcool em gel. O preço do produto, eficaz na higienização das mãos contra o vírus, disparou e houve escassez na matéria prima para a produção de mais frascos. O mesmo aconteceu com as máscaras, que viu os preços aumentarem em até 10 vezes em alguns casos.

Em poucas semanas, porém, as indústrias se adaptaram. De acordo com executivos ouvidos pela EXAME, o estoque de álcool em gel nas farmácias e supermercados se normalizou – e está até sobrando produtos nas prateleiras.

Companhias de cosméticos, como Boticário, Natura e L’Óreal, adaptaram suas fábricas para a produção de álcool em gel, tanto para abastecer lojas quanto para fazer doações a hospitais e centros de saúde.

O álcool em gel não é um produto de fabricação muito complexa e o maior desafio estava em um ingrediente espessante, que transformava o álcool líquido em gel, mais adequado para a limpeza das mãos. Algumas empresas, como a Ypê, encontraram novos espessantes na indústria. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também acelerou as licenças para o produto.

Edison Tamascia, presidente da Febrafar, diz que chegou a receber álcool em gel até em embalagens de shampoo e outros cosméticos por conta dessas adaptações nas linhas de produção. A Febrafar reúne quase 60 associações de farmácias independentes de todo o Brasil, com quase 10.000 drogarias sob seu guarda-chuva.

“Hoje não vemos mais problemas, pelo menos na comercialização para o varejo. Há até excesso”, diz o executivo. “Temos dado preferência a empresas que já eram fabricantes de álcool em gel.”

Algumas redes de varejo previram uma demanda maior do que a real e, agora, estão com excesso de estoque, diz Vinícius Alves, da Xprajá, startup que evita que toneladas de produtos novos sejam descartados ao recolocar produtos de bens de consumo. De acordo com ele, já há empresas procurando a startup para repassar estoque de álcool em gel.

O preço do produto chegou a crescer 14,8% no primeiro trimestre do ano, de acordo com levantamento feito pela Bionexo, multinacional brasileira de soluções digitais para gestão em saúde. No mesmo período, a demanda pelo produto aumentou 122,95% (veja gráfico).

Embora algumas pessoas e empresas tenham buscado lucrar em cima do aumento da demanda com a pandemia, logo consumidores e até o Procon passaram a fiscalizar preços abusivos.

“A nossa orientação para farmácias, desde o início, é que álcool em gel não é para dar lucro, é para atender a população”, diz Tamascia. O aumento da demanda pelo produto veio para ficar. “O álcool em gel vai fazer parte da nossa rotina, assim como desligar a luz se tornou um hábito depois do apagão e fechar a torneira, depois da seca”, afirma.

Prateleiras com diversas marcas de álcool em gel em farmácia em São Paulo
Prateleiras com diversas marcas de álcool em gel em farmácia em São Paulo (Denyse Godoy/EXAME)
Máscaras e outros produtos
Já as máscaras tiveram uma variação de preço maior, de 448,3% no primeiro trimestre, segundo levantamento da Bionexo. No mesmo período, a demanda pelo produto aumentou 101,87% (veja gráfico).

As primeiras orientações passadas pela Organização Mundial da Saúde eram que apenas pessoas doentes ou com sintomas deveriam usar máscaras, também pela preocupação de faltar equipamento para quem realmente precisaria. Hoje, o uso de máscaras é mais aceito como uma forma de evitar a transmissão do novo coronavírus e tornou-se até obrigatório em cidades como São Paulo.

A Anvisa também liberou novos modelos, além da cirúrgica e do modelo N95. Pequenas confecções e empreendedores estão desenvolvendo máscaras de pano, em menor escala.

“Vemos uma invasão de máscaras no mercado, mas há muitas pequenas confecções que não têm sequer CNPJ ou documentação, das quais não podemos comprar”, diz o presidente da Febrafar.

Fora o álcool e a máscara, outros produtos também viram aumento nas vendas. Remédios que combatem sintoma para resfriado em gripe, por exemplo, bem como complexos de vitaminas, tiveram mais saída nesse período, em especial a vitamina C. “Cerca de 6% da população tomava suplementos vitamínicos antes do coronavírus, acreditamos que esse número hoje é próximo de 10%”, diz Tamascia. Ele faz uma ressalva: ainda não há nenhum estudo que aponte que vitaminas ou outros remédios para a imunidade sejam eficazes contra o vírus.

Por enquanto, o melhor mesmo é se precaver com álcool em gel e máscaras.

Fonte – Revista Exame