Farmácia também é lugar de não medicamentos

Farmácia também é lugar de não medicamentos! A busca de tratamentos de saúde e produtos para prevenção de doenças faz parte do core business das farmácias e se consolida, assim, como a maior parte do faturamento dessas lojas. Contudo, outros nichos de mercado têm se destacado nos últimos anos, a exemplo dos itens de Higiene & Beleza (H&B).

Seja pelo mix de produtos, capilaridade do canal ou possibilidade de atendimento especializado, é fato que boa parte dos shoppers desses produtos deixou as perfumarias de lado para adquirir, nas farmácias, seus artigos de beleza.

“O shopper gosta de comprar no canal farma pela facilidade, organização de gôndolas e prateleiras, preços compatíveis com o mercado de H&B e equipe disponível para tirar dúvidas e dar orientação”, sintetiza o farmacêutico, empresário e diretor segundo secretário da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Rogério Lopes Junior.

Para a diretora da Mind Shopper, Alessandra Lima, o canal farma proporciona um momento mais tranquilo para as compras, já que, em geral, as pessoas estão sozinhas e podem explorar lançamentos e novidades.

“O layout da loja facilita o trânsito por diversas categorias e, diferentemente do supermercado, por exemplo, na farmácia, é possível solicitar a ajuda de um atendente. Além disso, não há comparação de gastos entre itens para família (alimentos, por exemplo) versus itens para seu próprio consumo (como dermocosméticos), fato que deixa o shopper mais confortável em gastar acima da média sem ‘culpa’”, sintetiza.

Prova do gosto do consumidor em adquirir seus itens de H&B nas farmácias está nos números deste setor, que já mostrou ter vencido, inclusive, os reflexos da crise econômica nacional.

Lopes Junior reforça que muitas farmácias estão aproveitando o momento da compra de medicamentos – categoria destino dentro do canal – para disponibilizar os artigos de H&B, melhorando os seus resultados.

“Nas redes associadas à Febrafar, têm aumentado a participação e a venda dessa categoria de produtos, não só em crescimento orgânico, mas também pela entrada de novas farmácias. Contudo, ainda há muitas oportunidades de crescimento com a categoria, por meio de alianças com a indústria”, visualiza o executivo.

Dados consolidados nas grandes redes

Segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), as vendas de itens de higiene, cosméticos, perfumaria e conveniência voltaram a crescer dois dígitos, depois de dois anos consecutivos com altas inferiores a 5%.

De acordo com a entidade, o comércio dos não medicamentos movimentou R$ 4,07 bilhões e cresceu 10,64% no primeiro trimestre de 2019 nas 25 maiores varejistas do setor – bem acima dos percentuais registrados no mesmo período de 2018 e 2017: 4,58% e 3,73%, respectivamente.

Na rede Pague Menos, por exemplo, no primeiro trimestre do ano, os itens de H&B cresceram 6,3%, com 22,2% de participação na geração de receita da rede.

Para o CEO da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, essa retomada é explicada, em parte, pela demanda por crédito do consumidor – que avançou 7,2% no período, segundo dados da Boa Vista. Esse cenário estimulou a ida às farmácias para aquisição de medicamentos, e a experiência no ponto de venda (PDV) contribui também para a compra de outros produtos.

“Essa situação reflete-se, especialmente, entre o público feminino, que representa 70% dos consumidores no grande varejo farmacêutico. Além disso, os preços dos não medicamentos não sofrem interferência ou controle do governo”, completa.

Investimento maciço

Diante de expectativas tão promissoras, muitas das redes de farmácias pelo País têm atuado com o conceito de drugstore, trazendo, além de um portfólio completo de medicamentos, produtos de H&B, perfumaria, dermocosméticos e conveniência.

Até mesmo marcas próprias passaram a ser consideradas. Na Panvel, por exemplo, um dos principais destaques de uma unidade inaugurada em maio último, em Caxias do Sul (RS), é marca própria da rede, formada por mais de 700 itens, incluindo maquiagem, proteção solar, ortopédicos, infantis e cuidados masculinos.

Além da grande variedade de medicamentos, por lá, os clientes podem contar com produtos de H&B de diversas marcas consagradas nacionais e internacionais, como La Roche Posay, Vichy e RoC.

“Da parte das farmácias, houve a percepção de que esses produtos podiam aumentar o tíquete médio da loja, aumentar o lucro e minimizar a dependência em medicamentos, onde a concorrência acirrada leva as lojas a brigarem especialmente por preço”, comenta Alessandra.

Por GUIA DA FARMÁCIA  24/09/2019

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