Digitalização no varejo vai muito além de e-commerce e é necessidade para crescer

O futuro para o varejo sempre será cheio de incertezas, não tendo como certo os rumos para o mercado. O cenário econômico é incerto, setores da economia estão enfrentando retrações (com raras exceções como varejo farma e de materiais de construção). Contudo, uma certeza que se tem é que independente do contexto analisado, para que empresários desse setor cresçam é fundamental que se pense na digitalização das lojas e processos.

Grande parte de minha vida me dediquei ao varejo – mais especificamente o farmacêutico – e posso afirmar que passei por muitos momentos importantes dentro desse setor e, recentemente, vejo que esse ponto vem ganhando fundamental relevância e será um ponto que definirá se um negócio sobrevive ou não.

Assim, abordar esse tema de forma aprofundada é primordial. Ocorre que, na maioria das vezes, quando se fala em digitalização de comércios, independentemente do setor, a ideia que vem à cabeça é uma estrutura de e-commerce, que certamente é importante, mas cobre apenas uma parte das possibilidades relacionadas ao tema. Hoje, ao pensar nesse assunto é fundamental ter a percepção da necessidade de um projeto de digitalização 360°.

Como presidente de entidades associativistas de farmácias, venho observando o crescimento do debate sobre a digitalização e sou um entusiasta desse tema e hoje consigo observar que esse processo em nossas redes começou desde o início de nossos trabalhos no associativismo e foi um dos principais diferenciais para que pudéssemos crescer e ocupar o lugar de destaque que temos. Sempre buscando oferecer inovações que sejam estratégicas para a gestão das lojas em todos os seus estágios.

Mas, fato é que, com o início da pandemia, face às necessidades do momento, esse tema ganhou mais força, o que pode ser confirmado com a grande corrida para que as lojas se adequassem ao delivery. Mas, quem quis ir além, percebeu a necessidade de se adequar à transformação digital do consumidor. É óbvio que, em um primeiro momento, isso dá mais trabalho do que resultado, pois é preciso investir em processos para cadastro, aplicativos, sistemas, novas metodologias e isso não traz um resultado de curto prazo.

No entanto, ao olhar para o futuro, quem já iniciou esse tipo de ação estará mais preparado do que o concorrente para uma nova realidade, plantando uma árvore hoje para colher lá na frente. Pode ser que daqui a 5 anos o modelo de negócios seja outro, totalmente personalizado, descontos diferentes para pessoas diferentes, contudo, para agilizar a percepção de mudança é preciso de dados, e para obtenção desses é fundamenta que se tenha sistemas inteligentes. Ou seja, é preciso estar preparando para isso.

Mas, mesmo antes desse cenário que atravessamos, acredito que digitalização vai muito além do consumidor, na minha visão, essa tem que ser 360°, ou seja, trabalhando para possibilitar que todos os processos de um varejo estejam digitalizados, isso, se bem utilizado terá um valor imensurável para as lojas.

Tenho uma visão de digitalização em vários âmbitos, tanto automatizando os processos internos para ganho de qualidade, quanto pelo lado do consumidor, digitalizando o processo de atendimento, entendendo os hábitos de consumo e estreitando o relacionamento.

Para o processo de digitalização 360° realmente ocorra, é preciso que se entenda todos os processos da operação, buscando alternativas para que a digitalização seja realmente ampla e integralmente transmitida para as lojas. Parto da premissa de que o público já é digitalizado em variados níveis. Assim, o papel da digitalização é se adequar aos anseios e necessidades deles para que se tenha realmente soluções efetivas.

Dentro desse conceito, é preciso buscar também a participação de todos que fazem parte dos processos e criando assim alternativas que são realmente práticas, garantindo que a digitalização não seja apenas uma teoria, mas sim uma solução aplicável e que proporcione resultados para todos que participam desse avanço.

Edison Tamascia é empresário e atua no varejo farmacêutico há mais de 40 anos. Atualmente, preside a administradora de redes associativistas de farmácias Farmarcas e a Febrafar – Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias e é um dos principais divulgadores do associativismo do país.