Dia do Autocuidado – entrevista com Marli Sileci

Hoje, dia 24 de julho, é comemorado o Dia Internacional do Autocuidado. Data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) visando reforçar a necessidade das pessoas cuidarem da saúde 24 horas por dia e 07 dias por semana.

Para comemorar a data, a vice-presidente executiva da Associação Brasileira de Medicamentos Isentos de Prescrição (ABIMIP) Marli Sileci, conta que a organização está realizando uma série de ações visando a conscientização sobre medidas e decisões que a população pode tomar e que têm impacto direto na saúde.

Marli Sileci explica em entrevista abaixo um pouco mais sobre o tema e a importância para a população:

Por que se comemora o Dia Internacional do Autocuidado?

Essa data foi criada pela OMS e é bastante representativa, sendo o dia 24 do mês 07 (julho), representando também que as pessoas devem se preocupar com a saúde 24 horas por dia e sete dias por semana. No Brasil, a data vem sendo comemorada há três anos com uma série de ações, muitas relacionadas à Abimip. Também estamos lutando pela criação do Dia Nacional do Autocuidado. Mas, ponto importante é que a data não é apenas comemorativa, mas sim um momento de reflexão e de luta por ampliação de melhores políticas públicas relacionadas ao tema.

Qual os pontos relacionados ao autocuidado que devem ser levados em conta pelas pessoas?

São sete os pilares do autocuidado, sendo importante que eles façam parte da rotina das pessoas. Esses são:

  1. Informação sobre saúde, buscando fontes confiáveis para ler e conversar com médicos para tomar boas decisões e desenvolver noções de cuidados com a saúde física e mental.
  2. Autoconhecimento, fazendo autoexames com frequência para conhecer o corpo e dando atenção aos sinais do organismo. Em caso de percepção de alterações, é importante conversar com um médico.
  3. Prática de uma atividade física – se deve deixar o sedentarismo de lado para cuidar do corpo e da mente, melhorar o funcionamento do organismo e prevenir doenças.
  4. Alimentação saudável, com comidas naturais e ricas em nutrientes, que munem o corpo de vitaminas e elementos necessários para a manutenção da saúde e proporcionam bem-estar.
  5. Evitar riscos para a saúde, lembrando que cigarros, bebidas alcoólicas em excesso e alimentos industrializados devem ser evitados na rotina de quem deseja ter plenas condições físicas e mentais.
  6. Ter bons hábitos de higiene, isso inclui lavar as mãos frequentemente, fazer a higiene bucal após as refeições e trocar as escovas a cada dois meses.
  7. Uso MIPS de forma responsável, os Medicamentos Isentos de Prescrição são permitidos para tratar males como dor de cabeça, resfriado e má digestão. Siga as orientações da bula. Se os sintomas persistirem, busque ajuda médica.
Qual a relação dos MIPs com o Autocuidado?

É muito grande essa relação, pois os MIPs proporcionam muito benefícios para a saúde, com ações preventivas. Para se ter ideia, existe um estudo que aponta que no mundo a cada U$1,00 gasto com MIPs se tem a economia de U$4,00 em gastos de saúde. Esse estudo foi replicado para o Brasil e o resultado foi apresentado em artigo publicado na última edição do Jornal Brasileiro de Economia e Saúde, revelando uma potencial economia de cerca de R$ 400 milhões pelo sistema de saúde brasileiro com o uso de medicamentos isentos de prescrição (MIPs). O trabalho também calculou o impacto de retorno de investimento: para cada R$ 1,00 gasto com um MIP, foram economizados até R$ 7,00. Isso pelo fato de que quando a pessoa faz uso do MIP muitas vezes deixa de ir ao pronto socorro, eliminando esse custo e outros como o dia trabalhado.

E quais as dificuldades enfrentadas pelos MIPs no país?

O uso dos MIPs ainda enfrenta um certo preconceito no Brasil. É importante ter em mente que quando se fala em automedicação isso não envolve os medicamentos isentos, apenas os tarjados. Lembrando que o medicamento isento de prescrição já foi de prescrição no passado, mas que para serem liberados passaram por muitos estudos prévios. Assim, mesmo em casos de uso errado de um MIP, não há risco para a saúde.

É importante também reforçar que a Anvisa é um órgão muito sério, com critérios rígidos para considerar um produto MIP. Por fim, esse medicamento sem prescrição é para uso em um período curto e caso não passem os sintomas será preciso procurar um médico. Os benefícios desses medicamentos são muitos, como a possibilidade de ter uma ‘farmacinha’ em casa para casos de dor de cabeça, de estômago, náuseas, dentre outros sintomas.

A boa informação é fundamental?

Sim, como pode ver, os MIPs estão nos pilares do autocuidado, com comprovada eficácia. Entretanto, o uso ainda enfrenta divulgações que prejudicam e assustam as pessoas. Infelizmente vivemos uma época perigosa de ‘fake news’, ou seja, informações falsas, que prejudicam muito a divulgação correta de autocuidado, a orientação é que as pessoas sempre procurem as fontes corretas. Essas informações falsas possuem um grande impacto, apesar de ainda não ter sido medido. A boa informação pode fazer com que a pessoa se cuide de forma adequada, para isso é importante se conhecer e evitar atitudes que geram riscos e manter uma boa higiene, por exemplo.

Como serão as ações neste ano?

Cada ano a ABIMIP escolhe um tipo de ação. Da primeira vez fizemos uma campanha grande na mídia, para levar para o consumidor informações sobre o autocuidado. No ano passado foram feitas parcerias com farmácias, com ações nos pontos de venda. Já neste ano estamos tratando a data com uma campanha ampla sobre o autocuidado, divulgado releases e falando nas mídias, também estamos fortalecendo a comunicação interna para nossos associados, montando kit para divulgar para os colaboradores.

Qual a importância da parceria com a Febrafar nesse contexto?

Importância de ter um parceiro como a Febrafar é muito grande. Hoje a associação representa muitas farmácias e é um destaque no mercado. Lembrando que ela trata diretamente com o farmacêutico, que é um intermediário da divulgação do autocuidado. Por isso buscamos sempre fortalecer nossa relação, beneficiando toda comunidade.