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28/01/2009 - Como devemos agir quando o mercado está instável?

Edison Tamascia



Analisar o mercado farmacêutico neste momento, fazer previsões sobre os principais acontecimentos que podem influenciar toda a cadeia produtiva do segmento para os próximos meses é uma tarefa quase que impossível. Está cada dia mais difícil antevermos qual será o próximo fato impactante em nosso segmento.

A possibilidade de algum especialista acertar o que vai acontecer é a mesma que uma cartomante ou um jogador de búzios tem ao prever o futuro com a máxima assertividade. Ou seja, a cada hora nos deparamos com inúmeras notícias, presenciamos diversas decisões unilaterais que nos faz concluir que o que estava sendo sinalizado ontem já não cabe para hoje e ninguém sabe se servirá para o dia de amanhã.

Atualmente, estamos assistindo a uma Concentração da Distribuição que parecia improvável se retroagirmos dois anos. Presenciamos, de fato, uma considerável redução dos prazos de compra da distribuição para com o varejo - situação inimaginável há 10 meses. E, também, acompanhamos a dificuldade financeira de vários grupos atacadistas e varejistas, algo acima de qualquer previsibilidade no semestre passado.

Enfim, tudo o que vem acontecendo não estava previsto de forma clara pelos analistas de mercado, assim como os grandes economistas não presumiram a crise financeira mundial. Particularmente, parece-me que esta fase de turbulência em alguns setores da economia mundial, e que afeta diversos países, assemelha-se as catástrofes provocadas pela natureza - que em fração de segundos e sem a menor previsibilidade devastam uma nação.

Entretanto, a roda continua girando e não podemos parar e esperar o que vai acontecer para, depois, decidir qual o caminho a seguir. Temos de continuar caminhando independentemente dos acontecimentos. E, portanto, o melhor remédio para o momento atual chama-se cautela, pois somente assim evitaremos tomar decisões intempestuosamente.

É importante nos conscientizarmos de que não é hora de inventar nada. Em momentos de indecisão devido a fatores externos, é preciso seguir a cartilha do conservadorismo e colocar em prática apenas aquilo que todos já sabem, que é concreto, mas que muitas vezes é ignorado. No entanto, aqui cabe uma questão: o que todos sabem, de fato?

Sabemos que o comércio precisa de gestão, planejamento e gerenciamento eficaz, mas, acima de tudo, também estamos cientes de que, na maioria das vezes, essas práticas são ignoradas por grande parte dos varejistas. Posso exemplificar relatando o quanto me estarrece, o quanto fico incrédulo diante de varejistas mais preocupados com a saúde financeira da concorrência do que com o seu próprio negócio. Pessoalmente, tenho a impressão de que estes empresários acreditam que se o concorrente quebrar, a empresa dele irá se salvar. Na prática, é óbvio que isso não vai acontecer, até porque esse espaço vai ser ocupado por outro concorrente.

Em uma economia de livre concorrência com a do Brasil, os espaços serão sempre ocupados por outros. Analise, por exemplo, quem era seu maior concorrente há 05 anos e quem é o seu maior concorrente hoje? Provavelmente, não é o mesmo e você deve sentir falta do tempo em que reclamava das práticas até então inaceitáveis do saudoso concorrente.

Com isso, é fácil notar que, independentemente da crise a qual enfrenta ou situação financeira em que se encontra o seu concorrente, muitos sobreviverão, inclusive os que não tem a gestão do negócio.

E só vão prosperar aqueles que, ao invés de se preocuparem com o vizinho, preferem avaliar o grau evolutivo e a performance de atuação de sua própria empresa. E vencerão também aqueles que não terceirizam suas incompetências, não culpando o concorrente, o fornecedor ou o governo pelo caos, aceitando os fatos e buscando soluções, principalmente nos momentos de instabilidade do mercado.


Edison Tamascia
é empresário do setor farmacêutico há mais de 30 anos, presidente da Febrafar e membro efetivo da Câmara Brasileira de Produtos Farmacêuticos (CBFARMA), da CNC (Confederação Nacional do Comércio).



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