Crescimento do mercado contribuirá para que o setor farma fature mais de US$ 20 bi em 2013
Texto e fotos: Emerson Escobar

No último dia 08, a ABAFARMA (Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico), ABCFARMA (Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico) e ABRAFARMA (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) promoveram um encontro com entidades representativas, empresários do varejo e executivos dos mercados farmacêutico e cosmético de todo o Brasil.

À frente, executivos da Febrafar e associadas à espera da abertura oficial do evento

Na 4ª fileira, três diretores da Febrafar aguardam o início das apresentações
Intitulado Farma Meeting - Perspectivas 2010, o evento foi aberto pelos presidentes das respectivas associações, que aproveitaram para expor os principais desafios e os bons resultados do setor no decorrer de 2009 - ano traumático para diversos setores da economia mundial, e que impactou, veementemente, no atacado farmacêutico.

“Enfrentamos grandes obstáculos, como a restrição de crédito, o aumento da carga tributária, a falsificação de medicamentos, o roubo de cargas, a precariedade da malha viária, entre outros. Todavia, com o desenvolvimento econômico do país, o controle da inflação, o desempenho das pessoas (profissionalização), o aumento da rentabilidade das empresas e, especialmente, da qualidade na prestação de serviços - que deve ser a plataforma de investimentos do atacado em 2010 - esperamos obter grandes conquistas no ano que vem”, relatou e estimou o presidente da Abafarma, Luiz Fernando Buainain (na foto acima).
Em contrapartida, o presidente da Abrafarma, Sergio Mena Barreto (na foto abaixo), comemorou os resultados obtidos pelas farmácias - incremento de 25% no faturamento - até setembro do ano corrente, comparando-os aos números registrados no mesmo período do ano anterior. No entanto, o executivo não deixou de mencionar os desafios enfrentados pelo varejo. “Sem dúvida, os ventos sopram a nosso favor. Nosso barco está navegando bem. Mas, às vezes, a maré sobe e inunda todo o convés desta grande embarcação”, metaforizou ao referir-se às normas impostas pela Anvisa por conta da publicação, em agosto, da RDC 44/09, cujas regras afetam toda a estrutura do estabelecimento comercial.

Quanto às expectativas para o próspero ano, Mena Barreto profetizou: “não temos dúvidas de que os ventos continuarão soprando, mas será preciso ter coragem para conduzir a embarcação mesmo ante as inundações que poderão balancá-la, até que consigamos chegar ao nosso destino”.
No ensejo, o presidente da ABCFarma, Pedro Zidoi (na foto abaixo), destacou a importância do varejo farmacêutico como estabelecimento de assistência à saúde. “O cidadão não vai à farmácia só para comprar medicamentos. Ele busca produtos que facilitem a vida e proporcionem bem estar”.

AS TENDÊNCIAS DO MERCADO FARMACÊUTICO
O Farma Meeting - Perspectivas 2010 também contou com a participação do Diretor regional de Consultoria e Serviços do IMS Health, Marcos Macedo (na foto abaixo), que apresentou uma visão geral do mercado mundial e discorreu sobre a evolução e as tendências do canal de vendas no Brasil.

De acordo com a entidade, que audita o setor farmacêutico no Brasil e no mundo, o mercado mundial de medicamentos deve registrar, este ano, um crescimento, em dólar, de 6% - obtendo um faturamento que deve chegar a US$ 780 bilhões (vendas da indústria). Com relação à participação de mercado, Macedo informou que os investimentos das indústrias nos países emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China, Turquia e Coreia do Sul - já representam 13% da demanda global e que as perspectivas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), em torno de 4% a.a nos próximos cinco anos, têm colaborado para um ambiente favorável a fusões e aquisições no Brasil.
O diretor afirmou que a estabilidade da economia nacional, o aumento do PIB, a ampliação do poder de compra, a eficiência na distribuição de renda (ascensão das classes C e D), a entrada das multinacionais, a crescente participação dos medicamentos genéricos (15% - Out/09), o alto volume comercializado e a maior diversificação do mix de produtos contribuirão substancialmente para a expansão gradativa do mercado farmacêutico brasileiro.

Em outubro deste ano, o segmento registrou faturamento da ordem de US$ 16,8 bilhões - um crescimento de 12,9% se comparado a igual período de 2008. Conforme anunciou o executivo, as previsões estimam que o mercado farmacêutico supere US$ 20 bilhões em quatro anos.
Embora concentre a maior fatia de mercado [56,3% (dez/08)], a região Sudeste vem perdendo força no varejo farma desde 2006, ao contrário do Sul e Nordeste, responsáveis por 16,7% e 15,6%, respectivamente, de share no canal. Entretanto, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais respondem por mais da metade (55%) das vendas totais de medicamentos, por unidade. Analgésicos, produtos para disfunção erétil e os antilipêmicos ocupam as principais posições no mercado em que Dorflex (Sanofi-aventis) lidera o ranking, à frente de Cialis (Lilly), Neosaldina (Nycomed), Lipitor e Viagra (Pfizer).
E, dentro desse mercado dinâmico, a indústria, por sua vez, vem assumindo nova postura perante os players, influenciada principalmente pela rigidez governamental, pela acirrada concorrência e pela necessidade de inovação de portfolio, de expansão em mercados menos concentrados, de aproximação do varejo e de investimento nas classes C e D.
O executivo explicou que, neste processo de transformação, o atacado também sofrerá mudanças - na estrutura da distribuição, com a capitalização das empresas e a entrada de novos players. Já as redes de farmácias crescerão em número de lojas e devem representar, em valor, 50% do mercado total - a despeito das lojas independentes (sem bandeira), que sofrerão um eminente encolhimento a partir do próximo ano.
RDC 44 - POSICIONAMENTO DAS ENTIDADES
Como era de se esperar, a polêmica resolução RDC 44/09, publicada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Diário Oficial da União do dia 18 de Agosto de 2009, foi um dos assuntos mais aguardados. Afinal, como proceder diante das regras que vão afetar a dispensação de produtos nas farmácias e drogarias instaladas no país?
Na ocasião, o presidente da Abrafarma, Sergio Mena Barreto, assegurou que a ação movida contra a agência, por conta de alguns dispositivos da RDC 44 e suas normativas (IN 09 e 10), e que fora deferida em 1ª instância em favor da associação, provavelmente deverá ser mantida em 2ª instância, devido à contundência e procedência das argumentações do juiz.
Em entrevista, o presidente da Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas de Farmácias), Edison Tamascia, confirmou que a entidade, que representa atualmente 31 redes - 3.098 farmácias - capilarizadas em 1.096 municípios de 12 estados mais o Distrito Federal, também ingressou com uma ação no mês de novembro, junto ao Tribunal Regional Federal de São Paulo, e que aguarda decisão judicial.
Já a ABCFarma, conforme apontou o presidente Pedro Zidoi, entrou com processo contra a RDC 44/09 e, inclusive, contra as regras impostas pela RDC 96, de 17 de dezembro de 2008, que regula a publicidade e a propaganda de medicamentos.
O MERCADO COSMÉTICO NO CANAL FARMA
Durante o evento, o Gerente de atendimento ao varejo do instituto Nielsen, Sr. Olegário Araújo (na foto abaixo), contribuiu com informações relacionadas ao mercado de produtos para Higiene e Beleza (H.B) e traçou o perfil de consumo destes nas farmácias e drogarias brasileiras.

Segundo levantamento da Nielsen, o varejo cosmético no Brasil é constituído por 461.807 lojas. O país é o terceiro mercado mundial em produtos cosméticos e representa uma das grandes potências do segmento de beleza.
Os canais farma (farmácias e drogarias) e cosmético (perfumarias) somam 72.386 lojas e possuem 15,7% do mercado. O canal alimentar responde por 84,3% dos pontos de venda (389.421 unidades) de produtos voltados para a higiene pessoal e beleza. Porém, em crescimento de volume comercializado, as redes de farmácias saem na frente com um aumento significativo de 7,1% este ano, se comparado a 2008. Haja vista que no biênio anterior, o varejo farma registrou retração de 0,2%.

As categorias que se destacam neste canal, se comparado às perfumarias, ao porta a porta e aos bares e mercearias, são os sabonetes, cremes dentais e escovas de dentes. Contudo, são as fraldas descartáveis (com destaque para as de embalagem maior), os sabonetes (sobretudo, na apresentação líquida) e os desodorantes (em especial, os aerossois) os itens de higiene e beleza que garantem boas cifras às farmácias e drogarias.
A Concorrência
No que tange à competição frente aos demais canais, o executivo ressaltou que nos próximos anos o crescimento da participação das farmácias neste mercado dependerá, essencialmente, de dois fatores: investimentos em sortimento diferenciado (variedade do mix quanto a itens, marcas, preços, etc) e respeito ao perfil de consumo do cliente. E enfatizou: “O mercado da vaidade requer produtos que proporcionem bem estar. As pessoas investem em cuidados pessoais porque se sentem melhor”.
O Marketing
Com relação à Mídia, o gerente comentou que as ações de marketing vêm garantindo o sucesso das vendas dos artigos de higiene e beleza nos canais de distribuição. “A força da mídia eletrônica (TV, Internet) sobre a massa tem gerado grandes impactos no consumo de itens de H.B. Declaradamente, a população brasileira é obcecada pela boa aparência e como há pressão social pela incessante busca por beleza, naturalmente as pessoas vão adquirir produtos que possam deixá-las cada vez mais belas”, reforçou.
Araújo finalizou apontando uma previsão de crescimento no consumo de produtos de higiene e beleza entre clientes de níveis socioeconômicos médio e alto, sendo que 85% das compras estarão nas mãos das mulheres - responsáveis por 30% da renda familiar.
AS PERSPECTIVAS PARA O BRASIL

O renomado palestrante Stephen Kanitz (na foto acima) encerrou o evento com chave de ouro. Para projetar a estrutura socioeconômica do Brasil, o professor recorreu à crise deflagrada pelo mercado imobiliário norte-americano no ano passado e que causou reflexos em diversos setores da economia mundial.
Kanitz iniciou as considerações enfatizando que não há motivos para pânico, pois “a crise acabou”. Ele observa que o Brasil tem vivenciado alguns problemas decorrentes da crise, e que serão superados devido às reservas internacionais, ao aquecimento da economia, aos incentivos às fusões, ao crescimento das empresas, ao aumento do consumo, aos investimentos sociais do governo, entre outros fatores.

Quanto às previsões para 2010, o administrador anunciou que 10% das empresas deverão crescer 26%; 20% delas observarão um crescimento de 16%; 30% crescerão 9% e as 40% restantes, 2,2% - enquanto que o PIB (Produto Interno Bruto) deverá crescer cerca de 6%, segundo apontam os economistas que apostam em uma forte recuperação da economia brasileira a partir do ano que vem.
Ao refletir sobre as explanações feitas quanto à performance do setor farmacêutico, o consultor sugeriu que os laboratórios invistam em pesquisas e desenvolvimento de produtos (inovadores) no Brasil, e garantiu que o país tem tudo para ser a Curitiba do mundo. “O mercado tem que entender que não precisamos vender para as classes C e D do Brasil. Temos é que vender para as classes C e D do mundo”, frisou.
O Farma Meeting - Perspectivas 2010 foi promovido das 09h às 12h do dia 08 de dezembro de 2009, no Teatro do Hotel Renaissance, em São Paulo.
* Emerson Escobar - Jornalista e Assessor de Comunicação da Febrafar.