Pfizer estuda possibilidade de lançar versão genérica do Lipitor
Da Redação

A Pfizer, um dos maiores laboratórios farmacêuticos do mundo, estuda produzir genéricos de seus próprios medicamentos, cujas patentes estão para vencer. O principal carro-chefe da companhia, o Lipitor (de combate ao colesterol elevado), perde a patente no fim do ano. É o remédio mais vendido do mundo e movimenta US$ 13 bilhões ao ano. O Viagra, a famosa pílula azul, que combate a disfunção erétil, perderá a patente no ano que vem.
Em entrevista ao Valor Econômico, Gustavo Petito, diretor de planejamento de negócios da Pfizer, evita dar detalhes sobre os planos da empresa em relação à possível entrada no segmento de medicamentos genéricos, mas confirma que o assunto está em discussão. "Não é uma estratégia da empresa, mas a companhia estuda essa possibilidade", afirmou.
"A perda de patente faz parte do ciclo da vida de um produto e faz parte da vida de uma companhia. A Pfizer trabalha para ter sempre novos lançamentos de inovação", afirma o executivo da Pfizer. "O Lipitor e o Viagra são considerados dois grandes 'blockbusters' [campeões de venda] mundiais. Assim que perderem a patente, várias companhias vão comercializar seus genéricos no mercado. Faz todo o sentido a Pfizer fazer o mesmo", afirmou uma fonte do setor.
EXPANSÃO
Os planos do grupo para o Brasil são ambiciosos. "O país é uma das prioridades da Pfizer. A matriz elencou sete mercados para dar maior atenção em 2010. Além dos países do Bric [Brasil, Rússia, Índia e China], vão merecer atenção o México, Turquia e a Coreia do Sul", afirmou Petito.
O executivo da maior companhia americana também evita abrir a estratégia de expansão da companhia no país. Segundo ele, a empresa estuda oportunidades de negócios no Brasil. A reportagem apurou que a Pfizer estuda a compra de um laboratório no país. No ano passado, a empresa disputou a compra do Neo Química, que foi adquirido pela Hypermarcas. Fontes do setor afirmaram que o laboratório Teuto estaria na mira da multinacional. Petito não comenta este assunto.
Nos próximos dias, a companhia deverá anunciar sua nova estrutura no Brasil, já com a incorporação da Wyeth. Com a recente aquisição, o grupo terá no país cerca de 130 medicamentos de prescrição e isentos de prescrição na linha de saúde humana. A linha de saúde animal será composta por 179 produtos. A empresa possui no país três fábricas, todas instaladas no Estado de São Paulo.
A multinacional também estuda a possibilidade de trazer para o país complexos vitamínicos do portfolio da Wyeth. No Brasil, a Pfizer possui 70 estudos clínicos em andamento, em 400 diferentes centros de pesquisa, envolvendo cerca de 10 mil pacientes. Com faturamento global (dados preliminares de 2009) de US$ 71 bilhões (incluindo a Wyeth), a receita da companhia no Brasil está estimada em cerca de R$ 3,3 bilhões (2009).
Fonte: Valor Econômico