Conheça o faxineiro que se tornou presidente de uma rede de farmácias no Espírito Santo
Da Redação

Depois de começar a vida profissional com 17 anos, trabalhando como faxineiro em uma farmácia de Minas Gerais, Welington Dias da Silva, 47, conseguiu tornar-se dono do próprio negócio, em solo capixaba.
Em entrevista ao jornal A Tribuna, publicada no último dia 20 de junho, Welington contou um pouco de sua história e falou dos planos futuros da associação a qual preside no Estado do Espírito Santo: a REDE FARMES.
ENTREVISTA

01) Como o senhor ingressou no varejo farmacêutico?
R: Sou mineiro de Ipatinga. Aos 17 anos, como faxineiro de uma farmácia. Depois fui evoluindo até chegar a balconista. Quando vim para o Espírito Santo, já tinha mais de 10 anos de experiência no setor.
02) Alguém de sua família também trabalha no ramo?
R: Somos em 11 irmãos, mas só eu atuo com farmácia. Fui incentivado pela minha mãe, que era enfermeira. Sempre achei a área interessante, mas achava que não tinha vocação para os negócios.
03) O senhor já tinha o seu próprio negócio quando veio para o Espírito Santo?
R: Não. Fui funcionário de duas farmácias antes de começar, também como funcionário, na loja em que estou hoje. Quando a rede Farmes surgiu, era empregado de um dos fundadores e trabalhava em uma drogaria na Praia do Canto.
04) Quando o senhor deixou de ser funcionário para tornar-se patrão?
R: Em 1999, o antigo dono da minha farmácia me pediu para assumir a administração da unidade porque ele já não estava mais em condições de gerir o negócio. Eu já trabalhava com ele desde 1998. Fiquei administrando para ele por um tempo, depois assumi sozinho.
05) Qual é a sensação de ter começado como faxineiro e hoje ser dono de negócio?
R: É de conquista, vitória. No início eu não tinha muita perspectiva de onde chegar, porque era muito novo, mas as oportunidades foram surgindo e soube aproveitar. O interessante é vencer um dia de cada vez.
06) Desde que assumiu a loja da Farmes em Jardim Limoeiro, o senhor fez alguma mudança?
R: Neste período, a loja tinha 70m² e hoje seu tamanho chega a 120m², fora o escritório que tem mais de 20m². No quadro funcional atual é composto por oito funcionários, o dobro do que havia na época do antigo dono.
07) A Farmes é uma rede do associativismo. Qual a diferença desse modelo de gestão para os demais?
R: No associativismo, cada associado é dono de sua loja. Nas redes corporativas é diferente, existem poucas pessoas que são donas de muitas lojas. Na Farmes, temos uma diretoria com representantes em cada setor. Reunimos vários lojistas em nome de uma única marca, o que nos dá maior poder de negociação. Atualmente, sou diretor-presidente na Rede Farmes.
08) Atualmente, quantas lojas possui a Rede Farmes?
R: Representamos 81 farmácias e drogarias em todo o Estado do Espírito Santo.
09) Há intenção de expandir os negócios?
R: O desejo de expansão faz parte do sonho de todo lojista. Todo mundo quer crescer, mas no momento não há possibilidade.
10) Qual a maior dificuldade de trabalhar com medicamentos?
R: Há alguns anos, trabalhar no ramo de farmácias era mais tranquilo. Hoje, as cobranças e a fiscalização são muito intensas. O mercado, por sua vez, é muito mutante e, ao mesmo tempo, agressivo - há muita competitividade.
11) Na sua opinião, a automedicação ainda é um problema?
R: É uma constante e parece estar impregnada na cultura do povo brasileiro. Sempre existiu um excesso de liberdade na compra de medicamentos, mas hoje a realidade está um pouco diferente - as pessoas estão mais conscientes.
12) Qual é o tipo de medicamento mais vendido?
R: Sem dúvida, os analgésicos. Acredito que um dos motivos esteja relacionado ao fato de nosso sistema de saúde ser deficiente. As pessoas buscam uma solução imediata para resolver o problema da dor, por isso recorrem aos analgésicos em vez de procurar um médico. Só para ter uma ideia, a marca líder de mercado neste segmento chega a vender 180 cartelas com 10 comprimidos por mês.
13) Depois dos analgésicos, quais outros medicamentos são os mais procurados em sua farmácia?
R: Em segundo lugar temos os tranquilizantes, que são medicamentos que só podem ser vendidos com prescrição e, em terceiro, aparecem os anti-inflamatórios.
14) As farmácias também trabalham com itens de perfumaria. Isso aumenta o faturamento da loja?
R: Hoje, o diferencial das farmácias é justamente o setor cosmético. Nós costumamos dizer que os medicamentos viraram itens indispensáveis. É preciso ter, porque é nossa atividade fim, mas quase não oferece lucro ao lojista. O que dá sobrevivência às lojas é a perfumaria. Esses produtos dão uma margem melhor, porque, ao contrário dos medicamentos, os preços são liberados.
15) Quais são os itens mais vendidos na perfumaria da farmácia?
R: É bem misto, mas os campeões de venda são os xampus, condicionadores e desodorantes.
16) Com relação à rede, quais são os planos futuros da Farmes?
R: Está em projeto, mas pretendemos implantar um cartão convênio para as pessoas físicas, semelhante ao que já dispomos hoje para trabalhar com as empresas. Iniciaremos com um cartão de fidelidade, em que as pessoas compram em nossas lojas e acumulam pontos. E, futuramente, queremos ter o nosso cartão de crédito próprio.
17) As lojas da rede Farmes oferecem descontos aos clientes?
R: Sim, dependendo do produto, os descontos podem chegar a até 80%.
SERVIÇO
Welington Dias da Silva
Presidente da Rede Farmes
Fone: (27)3212-4444
Email: presidencia@redefarmes.com.br
Fonte: A Tribuna / ES